Uma referência de inteligência e resistência, Enedina Alves Marques nasceu em 1913, em Curitiba. Disciplinada, trouxe consigo uma referência inspiradora e que marcou a história do país. Foi a primeira mulher a se formar em engenharia no Paraná, a primeira engenheira negra no Brasil e uma das primeiras professoras do colégio São Mateus.
Quando era criança ajudava sua mãe nas tarefas domésticas na casa do militar e intelectual republicano Domingos Nascimento, em troca de instrução educacional. Foi alfabetizada aos 12 anos e em 1926 ingressou no Instituto de Educação do Paraná, onde recebeu seu diploma de professora, em 1932.
Lecionou em várias escolas públicas no interior do Paraná, uma delas foi aqui em São Mateus do Sul, no antigo grupo escolar São Matheus, o nosso então atual Colégio São Mateus.
Porém Enedina tinha um sonho: se tornar engenheira civil. Portanto retornou a Curitiba e com muitas dificuldades em 1945 se formou na Universidade do Paraná, com isso Enedina se tornou a primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil.
Enfrentou todos os obstáculos que uma sociedade no início do século XX apresentava a uma mulher negra e pobre, nessa época era destinado as mulheres o papel de dona de casa. No mercado de trabalho, as opções costumavam variar entre trabalhar como professora ou a empregos em fábricas, com salário abaixo dos salários masculinos.
Em 1946, Enedina passou a ser auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas, e logo foi transferida para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná.
Enedina revolucionou os ambientes em que trabalhou, promoveu igualdade e inovação não apenas no campo da engenharia, mas também na luta por um país mais justo e menos racista.
Após sua morte, recebeu importantes homenagens que lembram seus feitos. Em 1988, uma importante rua no bairro Cajuru em Curitiba, recebe o seu nome: Rua Engenheira Enedina Alves Marques. oi fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá. A casa do major da polícia e delegado Domingos Nascimento, onde Enedina viveu com sua mãe durante sua infância, foi desmontada e transferida para o bairro Juvevê, em Curitiba e hoje abriga o Instituto Histórico, Iphan.